terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia - XVII

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   LISBON BY NIGHT

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Sexofone   saxofome
aqui jazz a humanidade
sepulcro de pedra pomes
duma pseudo euro-cidade.

Antro de feras criadas
entre manteiga e obuses
cansadíssima corrida
de modernas avestruzes.

Na cave do cio soa
um rumor acutilante
faca-pássaro que voa
em seu espaço percutante.

Sexofone   saxofome
agulha de tédio e ritmo
ninguém ouve   ninguém come
a noite não tem princípio.

Mancebos de longas tranças
enforcados em gravatas
vão depauperando as danças
com os pés aristocratas.

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J. C. Ary dos Santos
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