quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia - XIX

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            P O B R E Z I N H A

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Nas nossas duas sinas tão contrárias
Um pelo outro somos ignorados :
Sou filha de regiões imaginárias,
Tu pisas mundos firmes já pisados.

Trago no olhar visões extraordinárias
De coisas que abracei de olhos fechados...
Em mim não trago nada, como os párias...
Só tenho os astros, como os deserdados...

E das tuas riquezas e de ti
Nada me deste e eu nada recebi,
Nem o beijo que passa e que consola.

E o meu corpo, minh´alma e coração
Tudo em risos pousei na tua mão !...
...Ah ! como é bom, um pobre dar esmola !...

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Florbela Espanca
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