domingo, 30 de janeiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia - XIII

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       SONETO DE MAL AMAR

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Invento-te   recordo-te   distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto.

E as coisas que eu não disse ? Que não digo :
Meu terraço de ausência   meu castigo
meu pântano de rosas afogadas.

Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras mágoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.

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J.C. Ary dos Santos
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