segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia - X

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         S O N E T O S  - V

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Íamos sós pela floresta amiga,
Sob o incenso da Lua, que se evola,
Olhos no Céu, modesta rapariga !
Como as crianças ao sair da escola.

Em teus olhos já meigos de fadiga,
Semicerrados como o olhar da rola,
Eu ia lendo essa balada antiga
Duns noivos mortos ao cingir da estola...

A Lua-a-Branca, que é tua Avozinha,
Cobria com os seus os teus cabelos
E dava-te um aspecto de velhinha !

Que linda eras, o luar que o diga !
E eu compondo estes versos, tu a lê-los,
E ambos cismando na floresta amiga...

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António Nobre - 1884
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