terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia XI

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               T E U S   O L H O S

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Olhos do meu amor ! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados !
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros :
Meua anéis, minhas rendas, meus brocados.

Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meu oiros
Que trouxe d´Além-Mundos ignorados !

Olhos do meu Amor ! Fontes...cisternas..
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha...catedrais eternas...

Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais !...
Meu sumptuoso tumulo de morta !...

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Florbela Espanca
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