domingo, 16 de janeiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia - XIII

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                S A N T A    I R I A

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Num rio virginal as águas claras e mansas,
Pequenino baixel, a Santa vai boiando.
Pouco e pouco, dilui-se o oiro das suas tranças
E, diluindo, vê-se as águas aloirando.

Circunda-a um esplendor de verdes Esperanças.
Unge-lhe a fonte o luar (os Santos Óleos) brando.
E, com a Graça etérea e meiga das crianças,
Formosa Iria vai boiando, vai boiando...

Os cravos e os jasmins abrem-se à luz da Lua,
E, ao verem-na passar, fantástica branquinha,
Murmuram entre si : "É um mármore que flutua !"

Ela entra, enfim, no Oceano... E escuta-se, ao luar,
A mãe do Pescador, rezando a ladainha
Pelos que andam, Senhor! sobre as águas do Mar...

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António Nobre
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