S O N E T O S I V
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Ó Virgens que passais, ao sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar !
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido Lar.
Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a Graça, a formusura, o luar !
Cantai ! cantai as límpidas cantigas !
Das ruínas do meu Lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas
Que eu vi morrer num sonho, como um ai...
Ó suaves e frescas raparigas,
Adormecei-me nessa voz...Cantai !
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António Nobre
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