S O N E T O S VI
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Meus dias de rapaz, de adolescente,
Abrem a boca a bocejar, sombrios :
Deslizam vagarosos, como os Rios,
Sucedem-se uns aos outros, igualmente.
Nunca desperto de manhã, contente.
Pálido sempre com os lábios frios,
Ora, desfiando os meus rosários pios...
Fora melhor dormir, eternamente !
Mas não ter eu aspirações vivazes,
E não ter como têm os mais rapazes,
Olhos boiando em sol, lábios vermelho !
Quero viver, eu sinto-o, mas não posso :
E não sei, sendo assim enquanto moço,
O que serei, então, depois de velho.
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António Nobre - 1889
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